
HORA DE BATER O PONTO
Boa tarde! Em um cenário em que cresce o número de profissionais de RH e líderes e, junto com ele, o volume de informações sobre o mundo do trabalho, a bateponto chega para trazer, de bate-pronto, o que você realmente precisa saber.
Este é o primeiro de 12 episódios. Boa leitura.
PARA HOJE…
A liderança está mudando de mãos. Millennials já são o maior grupo de gestores e a Geração Z começa a chegar à gestão. O que isso muda, na prática, para o RH e para a forma de desenvolver líderes?

A gestão está mudando de mãos, e isso vai exigir uma nova postura do RH e da alta liderança

Um dado de 2025 merece mais atenção do que recebeu: pela primeira vez, os millennials superaram a Geração X como o maior grupo de gestores nos Estados Unidos, segundo pesquisa do Glassdoor (e não se trata de uma projeção, já aconteceu).
Até 2034, millennials, Geração Z e Geração Alpha vão representar quase 80% da força de trabalho global, conforme dados do Fórum Econômico Mundial, e a Geração Z já está entrando em posições de gestão.
A pergunta já deixou de ser "como vamos nos preparar?" e virou “o RH está desenvolvendo as novas lideranças no formato que elas aprendem ou no formato que o RH sabe ensinar?”. Então, não poderíamos deixar de elencar os pontos mais relevantes desse shift pra você:
1. Se o seu primeiro pensamento foi “ihhh, lá vem a Geração Z liderar…”, segure o pensamento
Cada nova geração que entra no mercado de trabalho enfrenta seus desafios parecidos (como a resistência das gerações mais antigas) por conta da mudança de estilo, mas também carrega características e experiências distintas. O padrão se repete a cada 15 anos aproximadamente: um grupo de pessoas com experiências de vida similares entra no mercado como reação ao que existia antes. Aconteceu com você assim como está acontecendo com a geração nova.
Quando a Geração Z apareceu, ela chegou dizendo: “Queremos ser ouvidos” e “Queremos que vocês mudem algumas coisas por aqui”.
Com a Geração Z, é uma mudança de estilo junto com a mudança de premissas.
A Geração Z chegou ao mercado pedindo autenticidade. Fora do trabalho, essa geração fala abertamente sobre diagnósticos de saúde mental, doses de medicação, limites pessoais… Só que, dentro do trabalho, encontra organizações que esperam que nada disso exista (ou que não falam sobre o tema).
O resultado é um hiato difícil de ignorar: o mesmo profissional que é radicalmente honesto com os amigos precisa fingir que está bem na reunião de segunda-feira.
Dá pra ver que o problema é menos de comportamento e mais de design organizacional, certo?
2. Com essas novas gerações, o líder millennial está preso no meio (e ninguém apontou isso como um problema ainda)
Os líderes millennials que assumiram posições de gestão agora enfrentam uma posição inédita: gerenciam equipes de Geração Z abaixo e respondem para a Geração X ou para os Baby Boomers acima.
São dois perfis com expectativas, estilos de comunicação e critérios de credibilidade bastante distintos. Na mesma tarde, o mesmo líder precisa ser mais direto e contextual com quem está abaixo e mais formal e hierárquico com quem está acima.
Ou seja: receita pronta para caos.
Essa habilidade tem nome: transitar entre registros. E quase nenhum programa de desenvolvimento a trata como competência a ser treinada.
O resultado prático? A maioria dos novos líderes navega essa tensão no improviso, sem vocabulário e sem suporte. O RH raramente nomeia o problema e aí o custo aparece mais tarde, na forma de turnover, conflito e/ou liderança inconsistente.
3. A Geração Z cresceu (e vai liderar) com métricas em tempo real
A Geração Z cresceu com feedback instantâneo: likes, visualizações, engajamento. Como gestores, vão operar na mesma lógica (e, como liderados, podem perder a referência em sistemas de avaliação de desempenho que fecham uma vez por ano) e isso não é por capricho. Isso acontece, porque é como o cérebro dessa geração foi calibrado para processar resultado e ajustar rota.
A Geração Z é a primeira geração que vai liderar com Inteligência Artificial como ferramenta nativa, não como adaptação. Isso muda o que um líder faz no dia a dia: quais decisões delega para sistemas, quais mantém para si e como avalia o trabalho de um time que também usa IA, por exemplo.
Enquanto o RH ainda está discutindo política de uso de IA, a Geração Z já fez dela parte da sua rotina.
4. Transparência é expectativa de entrada

Manchetes sobre a transparência que a Geração Z requer viraram padrão.
A Geração Z tem baixa tolerância a decisões tomadas em caixas-pretas. Quando em posição de liderança, ela pressiona por estruturas mais abertas. Quando liderada, vai desconfiar de gestores que não explicam o raciocínio por trás de uma decisão.
Resista ao impulso de achar que isso é questionar autoridade, porque essa é uma geração que cresceu com acesso irrestrito à informação e passou a tratar “opacidade” como sinal de alerta, não como norma institucional.
Para o RH, isso muda como a comunicação organizacional precisa ser estruturada: não como cascata de informação controlada, mas como arquitetura de acesso. “Quem decide o quê”, “com base em quê”, e “por quê” são perguntas que essa geração vai fazer. A diferença é se a sua organização vai ter resposta pronta ou vai improvisar.
5. T&D com "cara de 2015" não vai mais funcionar
Não deveria ser surpresa ver uma taxa baixíssima de pessoas realizando treinamentos corporativos por conta de fatores como:
Treinamentos que não são mobile-friendly;
Materiais com aparência corporativa pesada ou linguagem de manual;
Vídeos de treinamento sem nenhum rosto da própria geração…
Isso faz o treinamento perder credibilidade antes mesmo de ser aberto.
E ainda precisamos lembrar que parte das habilidades interpessoais da Geração Z foi comprometida pela pandemia e pelo uso intenso de redes sociais. Isso pede treinamentos que cubram condutas que antes eram assumidas como óbvias:
Como ter conversas difíceis;
Como se comunicar em ambientes formais;
Como liderar equipes com diferenças geracionais significativas…
6. Millennials: vocês precisam ajudar a Geração Z
"Eu tive que descobrir sozinho, então a Geração Z também vai", disse o líder millennial.
É uma mentalidade até que razoável individualmente, mas tem um custo organizacional alto. Os líderes millennials que chegaram ao poder agora têm uma escolha concreta: romper o ciclo ou perpetuá-lo.
E o RH tem responsabilidade direta nisso. Não servindo como uma espécie de polícia de comportamento, mas como uma estrutura que torna a ruptura mais fácil do que a repetição.

A transição de poder geracional já deixou de ser tendência e se tornou a realidade operacional. O que muda, então, para o RH e para a alta liderança:
Sistemas de feedback anuais ficam obsoletos para um perfil que opera em tempo real.
Líderes millennials no meio do sanduíche geracional precisam de suporte.
A transparência deixou de ser escolha de cultura e virou expectativa de entrada.
Conteúdo de desenvolvimento precisa ter cara de produto atual, não “cara de intranet”.
E a liderança AI-native da Geração Z vai mudar o que significa "tomar uma decisão" dentro das organizações.
A transição de poder já está acontecendo e a adaptação das práticas de gestão de pessoas ainda está em aberto, o que nos leva a deixar uma boa pergunta ao final dessa newsletter pra você: se as organizações não investirem do jeito certo no desenvolvimento das lideranças que chegam agora, como vão estar daqui alguns anos?
Talvez uma pergunta ainda melhor seja: o RH está desenvolvendo as novas lideranças no formato que elas aprendem ou no formato que o RH sabe ensinar?

→ A Gen Z está recebendo ajuda dos pais para conseguir emprego. Esse relatório mostra que 67% dos profissionais da Geração Z recebem ajuda direta dos pais para entrar no mercado de trabalho.
→ Conflito entre Baby Boomers e Gen Z pode chegar a US$ 56 bilhões em perda de produtividade. Essa notícia aprofunda mais no assunto.
→ Empresa viraliza ao excluir candidatos da Gen Z em anúncio de emprego. Veja aqui.
→ Estudos mostram que muitos jovens da Gen Z estão superqualificados para os cargos que conseguem. Aqui você lê mais.
→ Uma pesquisa mostrou que jovens profissionais estão quebrando o tabu de discutir salário no trabalho. Cerca de 40% da Gen Z dizem falar abertamente sobre quanto ganham, quase o dobro de gerações mais velhas.


Esse livro oferece 9 estratégias para inspirar e conectar-se com a Geração Z. Algumas dessas estratégias incluem:
Como atrair e integrar novos talentos.
Como dar um feedback firme a um jovem funcionário vulnerável.
Como motivá-los e incentivá-los de forma singular.
Como cultivar o pleno engajamento dos colegas da Geração Z.
Como capacitá-los a lidar com seus desafios de saúde mental.
O que você achou da edição de hoje?
Por hoje é isso. Ficamos muito felizes por você ter acompanhado o primeiro episódio da nossa série. Esperamos que você tenha saído mais informado e inspirado após essa estreia.
