
Sua news sobre mercado de trabalho e RH agora está de nome novo: além do ponto. A proposta continua a mesma, te ajudar a enxergar o trabalho de um novo ponto de vista, com o que realmente importa para ir além de só bater o ponto. Agora bora pra mais um episódio!
O TRABALHO DE UM NOVO PONTO DE VISTA
Boa tarde! As chances são altas de que você já teve aquela sensação de estar trabalhando muito, entregando tudo, mas sem conseguir enxergar direito pra onde está indo, certo?
Isso pode ser exaustão de esforço, mas muitas vezes é exaustão de movimento. Tem uma diferença entre estar cansado por trabalhar muito e estar drenado porque trabalhou muito sem sair do lugar.
Esse é o estado de boa parte dos profissionais brasileiros hoje, e entender o mecanismo por trás disso é o que separa uma resposta de RH que funciona de uma que apenas preenche lacuna no plano de wellness.
PARA HOJE…
Embora algumas estatísticas de burnout vão aparecer por aqui, o texto de hoje não é sobre burnout. É sobre uma das principais coisas que está por baixo dele: a sensação de esforço sem avanço, de trabalho que acontece mas não leva a lugar nenhum.
Vamos falar sobre o que o RH pode fazer quando a empresa não tem promoção para dar (e por que ignorar esse cenário tem um custo que já está sendo medido em bilhões). Ah, e no final deixamos uma pergunta que talvez te surpreenda...

Para entender: A Páscoa tem deixado de ser apenas uma data comemorativa no calendário corporativo para ganhar novo significado dentro das empresas.
Para descobrir: Especialista explica como equilibrar a eficiência dos algoritmos com a responsabilidade da governança e da cultura no RH.
Para ficar de olho: Estudo mostra alta de estresse entre jovens e aponta limites saudáveis como chave para produtividade.

O excesso de trabalho é vilão, mas não é o único.
O problema (além do trabalho em excesso) é o esforço sem sensação de movimento.
O relatório State of the Global Workplace 2025 da Gallup registrou a segunda queda no engajamento global em mais de uma década: de 23% para 21% dos trabalhadores engajados em 2024. O custo foi estimado em US$ 438 bilhões em produtividade perdida.
No Brasil, os dados são mais diretos. A 3ª edição do Engaja S/A, um estudo da Flash com a FGV EAESP e 5.397 trabalhadores, mostrou que apenas 39% dos profissionais se declaram engajados em 2025 — menor nível da série histórica, queda de cinco pontos em relação ao ano anterior. O custo do desengajamento foi calculado pela primeira vez: R$ 77 bilhões por ano, 0,66% do PIB.

O que chama atenção nesse estudo não é só o número, mas também onde o engajamento mais caiu: a dimensão "Crescimento e Desenvolvimento" registrou o maior aumento de profissionais ativamente desengajados, com mobilidade interna e capacitação entre os atributos mais críticos.
Tradução: o que mais está destruindo engajamento no Brasil hoje não é salário baixo e sim a percepção de estagnação.
Profissionais aguentam fases difíceis quando sentem que estão indo para algum lugar. O que realmente drena é aquele “esforço que não chega a lugar nenhum” e o RH que confunde os dois vai tratar o sintoma errado.
Promoção é a única moeda de carreira?

Daniel Zhao, economista-chefe do Glassdoor, descreveu bem o que acontece quando o mercado esfria: os profissionais entram em uma "pausa de carreira".
Quando não sentem progresso, eles param de colocar o mesmo nível de esforço.
Nas palavras dele: "Especialmente quando líderes estão pressionando fortemente por produtividade e eficiência, e após demissões, muitos trabalhadores estão fazendo o trabalho de várias pessoas… Essa é uma receita para o burnout."
A saída que o RH costuma oferecer é razoável: projetos novos, rotações temporárias, programas de desenvolvimento. Só que o problema está na leitura que o profissional faz dessas ofertas.
Quando a empresa não pode prometer crescimento rápido e oferece desenvolvimento no lugar, uma parte dos profissionais lê isso como substituto barato de reconhecimento.
Algo como "Você não vai crescer, mas vai aprender." O programa existe, as pessoas participam, a motivação fica no mesmo lugar na semana seguinte…
Se você acha que o maior problema é “demorar pra promover”…
Quando a empresa não pode prometer crescimento rápido, ela precisa pelo menos “organizar a espera”.
Profissionais que sabem que o mercado está difícil, que entendem os limites do momento e têm clareza sobre o que está sendo construído para eles (mesmo que lentamente) toleram a estagnação de forma muito diferente de quem está simplesmente esperando sem saber o que.
Lentidão não destrói confiança tanto quanto “não saber se a empresa tem um plano ou se você simplesmente sumiu do radar”. Isso dói.
Na prática, isso muda o que o RH deveria fazer agora:
Ser transparente sobre o momento. Profissionais sabem quando o mercado não está em boa forma. Nomear isso, em vez de fingir que tudo segue normal, devolve uma dose de controle a quem está na incerteza.
Separar desenvolvimento de consolação. Se o projeto ou o programa de capacitação tem uma lógica — "estamos te preparando para o que vem quando o mercado abrir" — diga isso explicitamente. A mesma iniciativa tem impacto completamente diferente dependendo de como é apresentada.
Criar marcos visíveis de avanço. Promoção é um marco. Mas não é o único. Aumento de escopo, acesso a projetos estratégicos, visibilidade com lideranças seniores — qualquer sinal concreto de que a pessoa está se movendo, mesmo que horizontalmente, ativa a percepção de progresso.
A ausência de qualquer sinal de que existe um próximo passo é muito pior que a ausência de uma promoção.
E quem cuida do RH então?

Até aqui, falamos do RH como agente da solução, mas a gente tem uma pergunta final pra você refletir: o profissional de RH também está nessa conta.
O Panorama da Saúde Emocional do RH 2025, pesquisa da Flash com 889 profissionais da área, mostrou que 70% convivem com ansiedade, burnout, depressão ou falta de motivação — contra 65% em 2024.
O RH está sendo cobrado por produtividade, pressionado pela NR-1, responsável pelo engajamento da organização enquanto enfrenta, em silêncio, as mesmas dinâmicas que tenta resolver para os outros.
Não é só quem cuida. É também quem precisa ser cuidado, né?
E aí fica a pergunta pra fechar: quando você vai ter com a sua equipe a conversa sobre progresso e próximos passos que você deveria estar tendo agora — e quem está tendo essa conversa com você?

→ 📖 O único estudo brasileiro dedicado a mapear sistematicamente a saúde emocional de quem cuida de pessoas dentro das organizações.
→ 📄 Esse panorama de engajamento e bem-estar no trabalho em uma escala global
→ 📊 Essa análise da AMATRA sobre o crescimento de 493% nos afastamentos por burnout no Brasil entre 2021 e 2024
→ 🎙️ Essa entrevista com Daniel Zhao, economista-chefe do Glassdoor, sobre o "congelamento de carreira" e o papel do RH nesse cenário.

Esse livro foi escrito por Daniel Pink, um dos principais pensadores sobre comportamento e performance no mundo, e ele basicamente vira do avesso tudo o que a gente acredita sobre motivação.
Ele te mostra que:
• motivar pessoas não tem a ver com recompensa, mas com como elas se sentem em relação ao próprio progresso
• o que sustenta o esforço no longo prazo é a sensação de evolução, não o incentivo externo.
OPINIÃO DO LEITOR
Alguns comentários sobre a última edição:
“Muito bom fazer a leitura desse jornal. Mesmo cansado da rotina, fiz todas minhas obrigações e agora relaxado e lendo o jornal. Excelente! Só aplaudir 👏”
“Assinei despretensiosamente porque sou fã de tudo o que o the news propõe, não trabalho na área do RH, mas trabalho em uma grande empresa e amei o conteúdo. Curto, direto, com boas dicas extras (clico em tudo e quero ler tudo), e ajuda até a nos desenvolvermos e até mesmo irei compartilhar com RH! ”
“Muito boa! Ainda não sou gestor, mas pretendo ser um dia, e poder ler e aprender com as edições me anima mais e mais pois sei que posso chegar com um perfil maduro. Show demais!!”
O que você achou da edição de hoje?
Por hoje é isso. Ficamos muito felizes por você ter acompanhado o quarto episódio da nossa série. Esperamos que você tenha saído mais informado e inspirado. Até a próxima semana!

